YHWH: O NOME QUE NÃO DEVERIA SER ESQUECIDO

24/08/2013 21:03

YHWH: O NOME QUE

NÃO DEVERIA SER ESQUECIDO

 

Por Tsadok Ben Derech

 

 

 

I - YHWH É O MEU NOME

 

No capítulo 3 de Shemot (Êxodo), Moshé (Moisés) vê uma sarça ardente que não era consumida pelo fogo. Então, sob ao monte e tem uma experiência sobrenatural com o ETERNO, estabelecendo-se um diálogo entre ambos. Neste encontro, Elohim revela Seu Nome a Moshé (Moisés):

“Moshé [Moisés] disse a Elohim: ‘Quem sou eu para dirigir-me ao faraó e levar o povo de Yisra’el para fora do Egito?’ Ele respondeu: ‘Tenha certeza de que estarei com você. O sinal de que eu o enviei será este: quando você tiver levado o povo para fora do Egito, vocês adorarão a Elohim nesta montanha’.

Moshé [Moisés] disse a Elohim: ‘Quando eu aparecer diante do povo de Yisra’el e lhes disser: O Elohim de seus ancestrais enviou-me a vocês’; e eles me perguntarem: ‘Qual é o nome dele?’, o que eu lhes direi?’. Elohim disse a Moshé [Moisés]: ‘Ehyeh Asher Ehyeh [Eu Sou/Serei o que Sou/Eu Serei]’ enviou-me a vocês’. Além disso, Elohim disse a Moshé [Moisés]: ‘Diga isto ao povo de Yisra’el: יהוה [YHWH], o Elohim de seus pais, o Elohim de Avraham [Abraão], o Elohim de Yitz’chak [Isaque], e o Elohim de Ya’akov [Jacó], enviou-me a vocês’. Este é o meu nome para sempre; desejo ser lembrado dessa forma, geração após geração.” (Shemot/Êxodo 3:11-15).

 

Ora, antes de o ETERNO revelar seu nome a Moshé (Moisés), este o conhecia como Elohim, vocábulo que significa literalmente “poderes” e que é um título usado pelo ETERNO, e não um nome próprio. Moshé (Moisés) quis saber o nome próprio pelo qual o ETERNO se chama e este o respondeu: יהוה. Trata-se do tetragrama (quatro letras) que revela o nome de Elohim, composto das letras hebraicas yud, hê, waw, hê, todas consoantes, visto que não existem vogais no alfabeto hebraico. Tais letras em Português[1] são assim transliteradas: YHWH. Doravante, sempre que se referir ao tetragrama, serão usadas as letras YHWH.

Após o ETERNO declarar que se chama YHWH, disse:

“Este é o meu nome para sempre; desejo ser lembrado dessa forma, geração após geração.” (Shemot/Êxodo 3:15).

 

Proveitoso relatar que na cultura ocidental o nome apenas designa uma pessoa (ex: Carlos, Priscila etc). Porém, na cultura semita, o nome (“shem”/שם) não só individualiza um ser, como também - e principalmente - se refere ao caráter da pessoa, às qualidades específicas que ela possui. No hebraico, cada nome possui um significado (ex: Yeshayahu/Isaías quer dizer “o ETERNO salva”).

Então, o ETERNO revelou seu nome sagrado, YHWH (יהוה), pois este tanto individualiza o Criador dos céus e da terra como também espelha o caráter de Elohim. Que fica guardada esta importante informação: o nome expressa caráter.

Especialista em paleo-hebraico, Jeff Benner explica que o tetragrama advém do verbo הוה, que denota “existir”. Na terceira pessoa do singular, flexiona-se o verbo como יהוה, formando-se o tetragrama que expressa simultaneamente as seguintes ideias: “Ele existe”, “Ele existirá”, “Ele é”.

No pensamento grego, as divindades são concebidas no plano abstrato. Na cultura hebraica, exige-se uma experiência concreta com o Ser Supremo (ver, ouvir, sentir). Por isso, Moshé perguntou o nome do ETERNO, visando autenticar a experiência sobrenatural que teve. Em resposta, Elohim revela o tetragrama, querendo exprimir a seguinte mensagem: “Diga ao povo de Yisra’el: Ele (o Elohim de seus pais) existe, Ele existirá, Ele é...”.

Ao declarar seu nome próprio no episódio narrado, o ETERNO determinou que deveria ser lembrado para sempre como YHWH (Shemot/Êxodo 3:15). Apesar de tal ordem expressa, hoje em dia as pessoas chamam o ETERNO de vários nomes, inclusive usam nomes de origem pagã, porém, não se valem do nome prescrito nas Escrituras.

O nome de YHWH é tão sagrado e importante que aparece aproximadamente sete mil vezes no Tanach (Primeiras Escrituras).

Escreveu o Salmista que os homens deveriam se envergonhar e buscar o nome de YHWH, isto é, o caráter de Elohim:

“Encham-se de vergonha as suas faces, para que busquem o teu nome, YHWH.

Confundam-se e assombrem-se perpetuamente; envergonhem-se, e pereçam,

Para que saibam que tu, a quem só pertence o nome de YHWH, és o Altíssimo sobre toda a terra.” (Tehilim/Salmos 83:16-18).

 

Ainda de acordo com o Saltério, o nome de YHWH permaneceria para sempre e deveria ser divulgado de geração em geração:

O seu nome permanecerá eternamente; o seu nome se irá propagando de pais a filhos enquanto o sol durar, e os homens serão abençoados nele; todas as nações lhe chamarão bem-aventurado.” (Tehilim/Salmos 72:17).

 

Escreveu o profeta Mal’achi (Malaquias) que aqueles que temem e se lembram do nome de YHWH serão ouvidos:

“Então aqueles que temeram a YHWH falaram frequentemente um ao outro; e YHWH atentou e ouviu; e um memorial foi escrito diante dele, para os que temeram YHWH, e para os que se lembraram do seu nome.” (Mal’achi/Malaquias 3:16).

 

O nome de YHWH deve ser amado:

“E aos filhos dos estrangeiros, que se unirem a YHWH para o servirem, e para amarem o nome de YHWH, e para serem seus servos, todos os que guardarem o shabat [sábado], não o profanando, e os que abraçarem a minha aliança.” (Yeshayahu/Isaías 56:6).

 

Devemos lembrar o nome de YHWH para todas as gerações e povos:

“Farei lembrado o teu nome de geração em geração; por isso os povos te louvarão eternamente.” (Tehilim/Salmos 45:17).

 

O Rei David louvava o nome de YHWH:

“Salmo de David para o músico-mor, sobre a morte de Labben:

 Eu te louvarei, YHWH, com todo o meu coração; contarei todas as tuas maravilhas.” (Tehilim/Salmos 9:1-2).

 

Deve-se dar glória ao nome de YHWH e adorá-lo:

“Dai a YHWH a glória devida ao seu nome, adorai a YHWH na beleza da santidade.” (Tehilim/Salmos 29:2).

 

A salvação é clamada pelo nome de YHWH. Por isto, quem invocar o nome de YHWH será salvo:

Salva-nos, YHWH nosso Elohim, e congrega-nos dentre os gentios, para que louvemos o teu nome santo, e nos gloriemos no teu louvor.” (Tehilim/Salmos 106:47).

E há de ser que todo aquele que invocar o nome de YHWH será salvo.” (Yo’el/Joel 2:32).

 

David escreveu um salmo em que afirma que a salvação vem pelo nome (caráter) de YHWH:

Salva-me, ó Elohim, pelo teu nome, e faze-me justiça pelo teu poder.” (Tehilim/Salmos 54:1).

 

David declarou que o nome de YHWH seria engrandecido para sempre:

E engrandeça-se o teu nome para sempre, para que se diga: YHWH dos Exércitos é Elohim sobre Yisra’el; e a casa de teu servo será confirmada diante de ti.” (Sh’mu’el Beit/2ª Samuel 7:26).

 

Com fundamento nos textos bíblicos citados, infere-se com toda firmeza que o uso do nome de YHWH era frequente entre os israelitas, que o empregavam como um nome próprio, tal como o nome de pessoas, sem haver nenhuma conotação mística ou sem que o concebessem como sagrado demais a ponto de não ser pronunciado. Em verdade, usava-se normalmente o nome de YHWH em situações cotidianas, desde que, obviamente, se assegurasse a reverência ao ETERNO.

No livro de Rut (Rute), Bo’az cumprimenta os ceifeiros valendo-se do nome do ETERNO, e também é cumprimentado da mesma forma, ou seja, em uma situação informal:

“Aconteceu de ela [Rut/Rute] estar na parte do campo pertencente a Bo’az, do clã de Elimelech, quando Bo’az chegou de Beit-Lechem [Belém]. Ele disse aos ceifeiros: ‘YHWH seja com vocês’; e eles responderam: ‘YHWH o abençoe’.” (Rut/Rute 2:3-4).

 

Atualmente, o Judaísmo rabínico ensina incorretamente que o nome de YHWH não pode ser pronunciado em nenhuma hipótese, pois isto seria um tremendo desrespeito ao ETERNO. Ledo engano! À luz da Escritura citada, Bo’az e os ceifeiros empregavam o nome de YHWH com respeito, porém, em situações informais do cotidiano.

É da sabença de todos que o profeta Yoná (Jonas) recebeu uma ordem do ETERNO para pregar a mensagem do arrependimento ao povo ímpio de Ninvé (Nínive), porém, fugiu de sua missão e tomou um barco para Tarshish (Társis). Houve uma terrível tempestade que ameaçava naufragar o navio e, então, os tripulantes lançaram sortes para saber quem seria o culpado, pois achavam que aquilo seria um castigo dos deuses. A sorte recaiu sobre Yoná (Jonas) e este falou abertamente aos gentios pagãos:

“Sou hebreu e temo a YHWH, o Elohim do céu, que criou o mar e a terra seca.” (Yoná/Jonas 1:9).

 

Vejam: Yoná (Jonas) revelou o nome de YHWH para pagãos!!! Ou seja, não entendia Yoná que o nome de YHWH deveria ser ocultado, pelo contrário, achou que seria bom revelar o nome do Criador dos céus e da terra. A partir daí acontece algo muito interessante, Yoná pede para que aqueles homens o lancem no mar e, logo em seguida, os gentios pagãos começam a clamar o nome de YHWH:

“Por fim, eles clamaram a YHWH: ‘Por favor YHWH, por favor! Não nos permita perecer por causar a morte deste homem e não nos culpes pelo derramamento de sangue inocente, pois tu, YHWH, fizeste o que achaste justo’.” (Yoná/Jonas 1:14).

 

Parece que os gentios terminaram se convertendo ao ETERNO, pois jogaram Yoná no mar e a fúria da tempestade cessou, ocasião em que:

“Tomados por um grande temor de YHWH, eles ofereceram um sacrifício a YHWH e fizeram votos.” (Yoná/Jonas 1:16).

 

O relato citado nos ensina uma grande lição: se até os pagãos puderam clamar o nome de YHWH, por que nós, servos de Yeshua HaMashiach, não podemos invocar o nome próprio do Pai Celestial?

Se não bastassem os textos bíblicos já citados em que o próprio YHWH ordenou que seu nome fosse ensinado, lembrado e invocado de geração a geração, vale registrar outros:

“Proclamem comigo a grandeza de YHWH;

exaltemos juntos seu nome.” (Tehilim/Salmos 34:4; versões cristãs: Sl 34:3).

“Darei graças a YHWH por sua justiça; ao nome de YHWH Altíssimo cantarei louvores.” (Tehilim/Salmos 7:18; versões cristãs: Sl 7:17).

YHWH, nosso YHWH, como é majestoso o teu nome em toda a terra! Tu, cuja glória é cantada nos céus.” (Tehilim/Salmos 8:2; versões cristãs: Sl 8:1)

Os que conhecem o teu nome confiam em ti, pois tu, YHWH, jamais abandonas os que te buscam.” (Tehilim/Salmos 9:11; versões cristãs: Sl 9:10).

 

Será exposto, a seguir, como surgiu a falsa ideia de que o nome de YHWH não pode ser pronunciado.

 

II - ORIGEM DO MITO

 

Quando os judeus foram levados ao cativeiro babilônico (586 A.C), eram constantemente insultados pelos pagãos, e estes blasfemavam o nome de YHWH. Para salvaguardar o nome do ETERNO perante os gentios, os mestres começaram a ensinar que os judeus não poderiam pronunciá-lo, pois seria indizível e sagrado. Desta forma, os pagãos não conheceriam o nome do ETERNO e, consequentemente, não iriam insultá-lo.

Com o passar do tempo, já que o nome de YHWH não era transmitido de pai para filho, começou-se a se perder sua pronúncia.

Na época em que foi escrita a Septuaginta (285 a 246 A.C, aproximadamente), que é a tradução do Tanach (Primeiras Escrituras) para o grego, divulgando-se a palavra do ETERNO aos judeus na Diáspora e aos gentios, os setenta e dois sábios que a traduziram escreveram todo o texto na língua grega, porém, fizeram questão de manter o nome de YHWH escrito em hebraico. Para muitos pesquisadores, isto indica que os sábios tradutores tinham zelo pelo nome do ETERNO.

Infelizmente, os copistas posteriores à Septuaginta não preservaram o nome de YHWH em hebraico, substituindo-o pela palavra grega “kurios” (“Senhor”). Esta é a razão pela qual as Bíblias em inglês usam o nome “LORD” (Senhor) e as em Português o nome “SENHOR”. Então, o nome de YHWH passou a ser substituído por eufemismos, e esta prática se alastrou antes mesmo do primeiro século.

De acordo com o Talmud, depois da morte do Sumo Sacerdote Sh’meon HaTsadik (310-291 ou 300-270 A.C.), o Sacerdote parou de usar o nome de YHWH ao pronunciar as bençãos. Assim, o nome sagrado somente poderia ser citado dentro do Templo, conforme atesta a Mishná:

“... no Santuário é dito o Nome tal como está escrito, porém, nas províncias, usa-se um eufemismo...” (Sotá 7:6 e 38b).

 

No primeiro século, Flávio Josefo menciona que não era lícito dizer o nome de YHWH, e esta proibição parece ter sido quase que universal em sua época:

“Moisés, não podendo, depois do que acabava de ver e ouvir, duvidar mais do efeito das promessas divinas, rogou a Deus que, no Egito, lhe desse o mesmo poder de fazer aqueles milagres com que o favorecia naquele momento e acrescentasse à graça de ter-se dignado fazê-lo ouvir a sua voz a de lhe dizer o seu nome, a fim de que ele pudesse melhor invocá-lo quando lhe oferecesse um sacrifício. Deus concedeu-lhe esse favor, que jamais fizera a qualquer outro neste mundo, mas não me é permitido repetir esse nome.” (História dos Hebreus, CPAD, 2004, páginas 95 e 96).

 

Após a destruição do Templo em 70 D.C, o judaísmo farisaico baniu o nome de YHWH, prescrevendo uma halachá no sentido de que o nome sagrado deveria “estar escondido” (m.Pesachim 50a) e “ser mantido em segredo” (m.Kidushin 71a).

 A nova prática instituída pelos fariseus contraria as Escrituras, porquanto o nome de YHWH sempre foi pronunciado por todos, tal como explicado nos textos bíblicos já citados. Vejam a incongruência: YHWH ordenou que seu nome fosse lembrado e divulgado, e o farisaísmo decretou que o nome fosse ocultado. 

Substituir YHWH por SENHOR, ou por qualquer outro eufemismo, não é correto e viola as próprias palavras da Torá, já que o ETERNO revelou o nome YHWH a Moshé (Moisés) e ordenou:

Este é o meu nome para sempre; desejo ser lembrado dessa forma, geração após geração.” (Shemot/Êxodo 3:15).

 

Com a substituição de YHWH por SENHOR, ADONAI[2], HASHEM[3] etc, o nome de YHWH não está sendo lembrado!!!

 

III - O TERCEIRO MANDAMENTO

 

Explicar-se-á, aqui e agora, qual a conexão do nome de YHWH com o terceiro mandamento. Ao entregar as duas tábuas com as asseret hadibrot (Dez Palavras ou “Dez Mandamentos”) a Moshé (Moisés), foi assim enunciado o terceiro mandamento:

“Não tomarás o nome de YHWH teu Elohim em vão; porque YHWH não terá por inocente o que tomar o seu nome em vão.” (Shemot/Êxodo 20:7).

 

Esta tradução está correta, porém, o texto também pode ser traduzido de outra maneira, visto que as palavras em hebraico possuem plurivalência semântica. Eis a assertiva em hebraico:

 

לֹא תִשָּׂא אֶת־שֵׁם־יְהוָה אֱלֹהֶיךָ לַשָּׁוְא כִּי לֹא יְנַקֶּה יְהוָה אֵת

 

 אֲשֶׁר־יִשָּׂא אֶת־שְׁמֹו לַשָּׁוְא

 

Vejamos as palavras do texto. O verbo נשא (nasa) significa “tomar”, mas também tem o sentido de “ser levado embora” (Strong 5375). Por outro lado, a palavra שוא (shav) significa tanto “vão”, quanto “falsidade”, “nulidade” ou “mentira” (Strong 7723). Então, eis a tradução literal do terceiro mandamento:

“Não levará embora [para longe] o nome de YHWH, o teu Elohim, para a mentira [ou para a nulidade], porque YHWH não inocentará o que levar embora o seu nome para a mentira [ou para a nulidade].” (Shemot/Êxodo 20:7).

 

Ora, pela tradução literal citada, estabeleceu o ETERNO o terceiro mandamento no sentido de que seria proibido levar o nome de YHWH para longe de modo a fazer com que se tornasse uma mentira. Em outras palavras, proibiu-se que outro nome falso ingressasse no lugar do nome de YHWH. Quando os mestres começaram a dizer no exílio babilônico que o nome de YHWH era impronunciável, terminaram por violar o terceiro mandamento.

É lamentável que hoje tanto o Cristianismo quanto o Judaísmo transgridam o terceiro mandamento, visto que ambas as religiões colocaram nomes falsos no lugar de YHWH, inclusive substituindo-o, muitas vezes, por nomes de origem pagã!

Afirma a Encyclopedia Americana (1945 edition) que o vocábulo em inglês “GOD” (Deus) é o nome de uma divindade teutônica que era adorada pelos pagãos. Quando estes se converteram ao Cristianismo, o termo idólatra foi utilizado para designar o Supremo Criador.

Logo, a palavra “God” (Deus) não deveria ser usada nas Bíblias em língua inglesa, porquanto se trata do nome de uma divindade pagã.

Por outro lado, o nome “DEUS” tem origem em DYEUS, chefe dos deuses do panteão proto-indo-europeu. Ensina o American Heritage Dictionary of the English Language que DYEUS, a divindade pagã, deu origem na mitologia grega a ZEUS. Por sua vez, Zeus significa em latim “Deus”, sendo este nome propagado para outras línguas que tiveram o latim por base: a) Deus (português); b) Dios (espanhol); c) Dio (italiano); d) Dieu (francês).

Segundo o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, a palavra “Deus” significa “o criador do universo”; “forças ocultas”; “espíritos mais ou menos personalizados” e “ídolo fabricado pela mão do homem e ao qual o primitivo rende culto e atribui determinados poderes”. Percebe-se que o conceito de “Deus”, na Língua Portuguesa, não corresponde exatamente ao conceito bíblico do Criador dos céus e da terra.

Por tal razão, sempre optamos por usar títulos semitas (ex: YHWH, Elohim etc), ou o aportuguesado “ETERNO”, que é usualmente empregado nos círculos judaicos. Não obstante, não compartilhamos com o radicalismo de alguns que chegam a proibir o vocábulo “Deus”, afirmando que este seria, na verdade, “Zeus”, o chefe do panteão dos deuses gregos. Quando, por exemplo, um discípulo de Yeshua ora a “Deus”, não está invocando o ser da mitologia grega, mas sim o Elohim de Yisra’el. Na Língua Portuguesa hodierna, “Deus” não é, necessariamente, sinônimo de “Zeus”, inferindo-se daí que a palavra “Deus” pode ou não assumir significado pagão, dependendo do contexto[4].   

Quanto à palavra “SENHOR”, esta não tem origem pagã, como alguns equivocadamente pensam. Contudo, entende-se que as Bíblias atualmente vendidas não deveriam substituir o nome de YHWH por SENHOR, haja vista que o ETERNO determinou que deveria ser lembrado por meio de seu nome próprio: YHWH.  Da mesma maneira, o Judaísmo está errado ao trocar o nome de YHWH por eufemismos como HASHEM[5] ou ADONAI[6]. Consequentemente, colocar outros nomes no lugar de YHWH implica transgressão ao terceiro mandamento, porquanto se termina por “levar embora” o nome do ETERNO, substituindo-o por um nome falso. Insta repetir o terceiro mandamento, conforme a retradução operada acima:

“Não levará embora [para longe] o nome de YHWH, o teu Elohim, para a mentira [ou para a nulidade], porque YHWH não inocentará o que levar embora o seu nome para a mentira [ou para a nulidade].” (Shemot 20:7).

 

 

IV - YESHUA E O NOME DE YHWH

 

Consoante já exposto, a partir do exílio babilônio se começou a perder como se pronuncia o nome de YHWH. Todavia, alguns sábios mantiveram o nome do ETERNO em seus lábios, inclusive os mestres da Septuaginta. Estes, ao escreverem o texto em grego e preservarem o nome de YHWH em hebraico, sabiam a correta pronúncia. Isto no século II A.C.

Quando Yeshua veio à terra, o nome de YHWH praticamente havia se perdido, apesar de alguns mestres o conhecerem. Flávio Josefo, por exemplo, foi um parush (fariseu) contemporâneo de Yeshua, oriundo de família sacerdotal, tendo escrito a maior obra acerca da história do povo de Israel.

Josefo conhecia o nome de YHWH, mas não ousava dizê-lo abertamente, uma vez que em sua época pairava a ideia acerca da impronunciabilidade do nome do ETERNO, conceito equivocado que persiste até os dias de hoje no Judaísmo. Escreveu Flávio Josefo acerca do nome de YHWH escrito na cobertura da cabeça do Kohen Gadol (Sumo Sacerdote):

“Nele estava escrito o Nome Sagrado. Ele consistia de quatro vogais.” (Guerras 5:5:7).

 

Falou Josefo sobre quatro vogais que estariam associadas às quatro consoantes do tetragrama (YHWH), formando-se, então, a pronúncia do nome do ETERNO.

Fez-se menção ao testemunho de Flávio Josefo para demonstrar que já na época de Yeshua havia pessoas que conheciam o nome do ETERNO, mas não o declaravam em público, provavelmente com medo da represália que viria dos religiosos ortodoxos, defensores da impronunciabilidade do tetragrama.

O Talmud, escrito pela facção judaica que se opôs a Yeshua, reconhece que este conhecia o tetragrama YHWH. Em uma paródia denominada Toledot Yeshu, em que se deprecia o Mashiach, conta-se que Yeshua realmente realizou milagres e prodígios, visto que conhecia o poder do Nome do Altíssimo, tendo acesso ao tetragrama YHWH.

Prossegue o Talmud contando a lenda de que Yeshua, quando estava com seus 13 anos em Yerushalayim (Jerusalém), entrou no Santo dos Santos do Templo e, ocultando-se, ouviu os anjos pronunciando o nome do ETERNO.  Por ser esperto e suspeitando que os anjos poderiam apagar sua memória, Yeshua riscou o nome do ETERNO em um pedaço de couro, cortou-o e também cortou sua pele, colocando o nome de YHWH sob sua pele, usando em seguida o nome sagrado para curar a ferida. Ao sair do Templo, os anjos apagaram sua memória, porém, posteriormente Yeshua lembrou-se do pedaço de couro, cortou sua pele e teve acesso ao nome do ETERNO. Alega esta fábula que Yeshua realizava milagres por conhecer o nome de YHWH.

Esta história, por mais que seja mentirosa, tem dois aspectos importantes: 1) até mesmo aqueles que negam Yeshua reconhecem que ele realmente fez milagres; 2) confirma que Yeshua conhecia o tetragrama YHWH.

É óbvio que Yeshua conhecia o Nome de YHWH, pois Yeshua é YHWH que se fez carne e habitou entre nós (vide Yochanan/João 1:1 e 14, bem como o texto em aramaico de Filipissayah/Filipenses 2:11).

Yeshua fez questão de revelar não só o caráter do Criador, como também o verdadeiro nome do ETERNO, restaurando o que estava praticamente perdido:

E eu lhes fiz conhecer o teu Nome, e lho farei conhecer mais, para que o amor com que me tens amado esteja neles, e eu neles esteja.” (Yochanan/João 17:26).

 

 

Por que Yeshua revelou o nome de YHWH a seus discípulos? Para que fosse cumprido o mandamento de que o nome de YHWH seria lembrado de geração a geração, ou seja, para sempre (Shemot/Êxodo 3:15). E mais: de acordo com a tradição judaica, o nome sagrado voltaria a ser pronunciado depois da redenção promovida pelo Mashiach (Talmud Bavli, m.Pessachim 50a). Ainda que a completa redenção do mundo não tenha se consumado, Yeshua é o Mashiach, e tem toda a autoridade para restaurar o nome sagrado, cuja pronúncia foi proibida mediante violação das Escrituras.

Assim, se Yeshua revelou o nome de YHWH a seus discípulos, significa que o Mashiach quis expressamente que o nome do ETERNO fosse conhecido, caindo-se mais uma vez por terra a teoria moderna de que o Altíssimo não quer mais revelar o seu nome.

Aliás, no Sefer Tehilim (Livro de Salmos), o Salmo 22, que é nitidamente messiânico, contém a profecia de que o Mashiach iria divulgar o nome de YHWH a seus irmãos, para que o nome santo fosse louvado:

“Proclamarei teu nome a meus irmãos;

na assembleia, te louvarei.

Tu, que temes a YHWH, louva-o!” (Tehilim 22:23-24; versões cristãs: Sl 22:22-23).

 

Ao escrever Ma’assei Sh’lichim (Atos dos Emissários), Lucas cita expressamente a profecia de Yo’el (Joel) em que o nome de YHWH é mencionado. Ou seja, os emissários (“apóstolos”) devem ter transmitido o nome do ETERNO para Lucas. Comparemos os textos de Lucas e Yo’el:

“Então todo que invocar o nome de YHWH será salvo.” (Ma’assei Sh’lichim/Atos 2:20).

“E há de ser que todo aquele que invocar o nome do YHWH será salvo.” (Yo’el/Joel 2:32).

 

Ademais, Yeshayahu (Isaías) profetizou sobre a vinda do Mashiach nos capítulos 52 e 53, sendo que neste contexto o profeta escreveu as palavras do próprio ETERNO:

 “Portanto o meu povo saberá o meu Nome.” (Yeshayahu/Isaías 52:6).

 

No versículo acima, o ETERNO declara que o seu povo conheceria o seu Nome e esta profecia está no contexto da vinda do Mashiach Yeshua. Então, mais uma vez se conclui que Yeshua tornou conhecido o nome do ETERNO aos nazarenos (Yochanan/João 17:26).

Logo, quem é verdadeiro discípulo de Yeshua tem o privilégio de conhecer e de exaltar o nome de YHWH:

Em ti, pois, confiam os que conhecem o teu Nome, porque tu, YHWH, não desamparas os que te buscam.” (Tehilim/ Salmos 9:10).

“Uns confiam em carros, outros, em cavalos; nós, porém, nos gloriaremos em o Nome de YHWH, nosso Elohim.” (Tehilim/ Salmos 20:7).

“Eu, porém, renderei graças a YHWH, segundo a sua justiça, e cantarei louvores ao Nome de YHWH Altíssimo.” (Tehilim/ Salmos 7:17).

“Mas regozijem-se todos os que confiam em ti; folguem de júbilo para sempre, porque tu os defendes; e em ti se gloriem os que amam o teu Nome.” (Tehilim/ Salmos 5:11).

Engrandecei a YHWH comigo, e todos, à uma, lhe exaltemos o Nome.” (Tehilim/ Salmos 34:3).

 

Destarte, aqueles que seguem o Judaísmo Nazareno devem fazer uso do nome de YHWH com reverência, louvando-o, exaltando-o, amando-o e proclamando-o.

 

 V- COMO SE PRONUNCIA O NOME DE YHWH?

 

A maioria dos especialistas afirma que o nome de YHWH é transliterado da seguinte maneira: Yahweh. A este respeito, existem incontestáveis provas arqueológicas, históricas e linguísticas que ratificam a transliteração como Yahweh, o que será visto mais adiante. Agora, será focada a pronúncia do nome de YHWH.

O vocábulo YAHWEH pode ser divido em três elementos: 1) YA; 2) HW e 3) EH. Vamos analisar cada um:

1) YA – produz o seguinte som em língua portuguesa: ;

2) HW – o hê (H) possui o som de R, enquanto o waw (W), no radical paleo-hebraico da palavra, dá o som de U. Assim, temos o som de HU, que no português é RU (tal como o “ru” da palavra “rua” ou “ruivo”); 

3) EH – possui o som de É (dependendo do sotaque, o som pode ser de Ê).

Ora, unindo-se os três passos acima, chegamos à seguinte pronúncia: IÁ-RU-É (ou IÁ-RU-Ê, dependendo do sotaque), frisando-se que a sílaba “RU” produz o som que se encontra no vocábulo “rua”. Então, o nome de YHWH tem o seguinte som em língua portuguesa: IARUÉ (ou IARUÊ). Esta é a conclusão dos maiores especialistas, todos fundados em elementos linguísticos, históricos e arqueológicos.

Existe outra pronúncia possível em razão da diversidade de sotaques existentes entre os antigos hebreus.  Observando o passo 2 acima, foi dito que o som produzido é de RU. Não obstante, a letra hê (H) pode não ser pronunciada, tal como ocorre nos dias atuais, em que muitos judeus não emitem seu som. Então, o RU se transforma em U. Daí, a fonética ficaria assim: IÁ-U-É (ou IÁ-U-Ê, com sotaque diferente).

Alguém pode ficar surpreso com a diversidade de sons, porém, isto é muito comum. Pense que muitas palavras do inglês britânico recebem pronúncia diferente no inglês norte-americano. No Brasil, o sotaque do nordestino é diferente do paulista, e este, por sua vez, é diferente do sotaque carioca. Ou seja, a diversidade fonética é um fenômeno comum das línguas.

Em conclusão, destacamos as possíveis maneiras de se falar o nome de YHWH, consoante as lições dos mais renomados especialistas:

1) IÁRUÉ[7] (a letra “e” também admite uma pronúncia fechada, ficando assim: IÁRUÊ)[8];

2) IÁUÉ (a letra “e” também admite uma pronúncia fechada, ficando assim: IÁUÊ).

Destarte, com fulcro em todos os textos bíblicos expendidos, os netsarim (nazarenos) costumam orar e cantar ao ETERNO se valendo da fonética apresentada acerca do nome de YHWH.

No próximo tópico, apresentaremos provas contundentes acerca da pronúncia acima exposta do nome de YHWH, pautadas nas Escrituras e em dados arqueológicos, linguísticos e históricos.

 

VI- A PRONÚNCIA DO NOME DE YHWH: EVIDÊNCIAS BÍBLICAS, ARQUEOLÓGICAS, LINGUÍSTICAS E HISTÓRICAS

 

O tetragrama YHWH é composto das seguintes letras hebraicas: יהוה. Vejamos a pronúncia das duas primeiras letras (YH): יה.

As duas letras iniciais aparecem em vários salmos e há um consenso entre todos os estudiosos que sua pronúncia é YAH (em Português: ). Verbi gratia, a Concordância Strong em Língua Inglesa afirma que “Yah é o nome do Deus de Israel” (Strong 3050), pronunciando-se como יָה (em inglês: Yah; em português: ).

Eis alguns exemplos extraídos diretamente dos textos em Hebraico em que consta o nome YAH (som em português: Iá):

“Cantem a Elohim, cantem louvores a seu nome;

exaltem aquele que cavalga sobre as nuvens por seu nome, יָה [YAH];

e alegrem-se em sua presença.” (Tehilim/Salmos 68:5; versões cristãs: Sl 68:4).

“Recordarei os feitos de יָה [YAH];

sim, recordarei teus antigos milagres.” (Tehilim/Salmos 77:12; versões cristãs: Sl 77:11).

“Quem é poderoso como tu, יָה [YAH]?” (Tehilim/Salmos 89:9; versões cristãs: Sl 89:8).

“Feliz é o homem a quem tu corriges, יָה [YAH],

a quem ensinas a tua Torá.” (Tehilim/Salmos 94:12).

 

Aliás, o nome em português “Aleluia” advém da expressão hebraica “Haleluyah”, que significa “Louvem a Yah”, e que é mencionada em diversos Salmos (ex: Sl 104:35; Sl 105:45; Sl 106:1; Sl 106:48; Sl 11:1; Sl 112:1 etc).

Além das Escrituras Sagradas, há prova arqueológica de que o bigrama YH seja pronunciado como Yah (“Iá”). Em hieróglifos egípcios escritos com sinais vocálicos, o An Egyptian Hieroglyphic Dictionary, de autoria de E. A. Wallis Budge, assevera que o nome do ETERNO resumido é pronunciado como “YA” ou “IA”.    

Logo, tem-se absoluta certeza de que o nome do Altíssimo começa com YAH (som de “Iá”).

Por tal razão, está incorreto o nome YEHOVÁ, pois se inicia com YE, e não com YAH. Também é errôneo o nome JEOVÁ, visto que: a) este se inicia com JE e não com YAH; b) não existe a letra “j” (jota) em hebraico, razão pela qual é impossível que o ETERNO fosse chamado pelos israelitas por meio de um som inexistente em tal idioma[9]

Após o estudo das duas iniciais letras do nome do ETERNO, acrescentaremos a terceira letra, W (ו), formando-se o trigrama YHW (יהו). Sabemos que as duas primeiras letras dão o som de YAH (“Iá”, em português). Ao acrescentarmos a terceira letra, qual a sonoridade obtida?

Existem vários nomes teofóricos na Bíblia em que consta o trigrama, o que nos dá a evidência de sua pronúncia.

Nome teofórico é o nome de uma pessoa formado pelo nome do ETERNO. Exemplos: 1) Yeshayahu (Isaías), é composto pelo prefixo “yesha” (salvação) e “Yahu” (nome do trigrama do ETERNO), daí, Yeshayahu (Isaías) significa que YAHU (o ETERNO) é a salvação; b) Yirmeyahu (Jeremias) provém do prefixo “Yirme” (ser exaltado) e “Yahu” (o nome do trigrama do ETERNO), denotando Yirmeyahu (Jeremias) que YAHU (o ETERNO) é exaltado.

Estes dois exemplos apontam que a pronúncia do trigrama (YHW) é YAHU[10]. Já que o “h” (letra hebraica hê) tem o som de “r”, YAHU se pronuncia em língua portuguesa como “Iáru[11].

Há aproximadamente 60 personagens bíblicos que são designados pelo nome YAHU. Eis apenas alguns exemplos: Eliyahu (Elias); Abiyahu (Abias); Tobiyahu (Tobias); Uriyahu (Urias); Adoniyahu (Adonias); Malkiyahu (Malquias); Matityahu (Matitias/Mateus); Ataliyahu (Atalia); Ygdaliyahu (Jigdalias); Remalyahu (Remalias) etc. Todos estes nomes constam das Sagradas Escrituras e não existe dúvida entre os linguistas de que, nestes casos, o ETERNO é chamado de YAHU.

Destarte, à luz das Escrituras, percebe-se que o trigrama é pronunciado como YAHU (Iáru[12], em português). Não obstante, para ocultar o nome do ETERNO, consoante os motivos já expostos, os massoretas[13] passaram a transcrever as Escrituras hebraicas mediante o seguinte critério:

a) em toda a palavra iniciada pelo trigrama, foi substituído o nome correto YAHU pelo falso nome YEHO. Daí, o nome de Yahushua (“Josué”) foi transformado em Yehoshua; 

b) quando o trigrama aparecia no final da palavra, foi mantida a forma correta (YAHU), tal como em Yeshayahu (Isaías), Yirmeyahu (Jeremias) etc.

Em síntese, os massoretas preservaram a correta pronúncia do nome YAHU quando este servia de sufixo, porém, quando tal nome vinha como prefixo, YAHU foi adulterado e substituído por YEHO. E por que esta alteração?

Porque os massoretas queriam manter o nome do ETERNO impronunciável, e o prefixo do trigrama, se recebesse os sinais vocálicos corretos, revelaria o correto modo de dizer. Para atingir tal escopo, criaram um nome falso com o intuito de tornar secreto o nome verdadeiro. Assim, pegaram as vogais do nome “ELOAH” (“Deus”) e a transplantaram para o tetragrama YHWH, gerando o incorreto nome YEHOVÁ. Acompanhe o processo:

a) ELOAH possui três vogais: E, O, A.

b) foram aplicadas as três vogais (E, O ,A) no tetragrama YHWH;

c) somando-se as consoantes YHWH com as vogais citadas (E, O, A), foi criada a palavra YEHOVA (YEHOVÁ é assim pronunciado em português: Ierová[14]);

d) daí, começou-se a divulgar e mentira de que o nome do ETERNO é YEHOVÁ.

Ao se criar o falso vocábulo YEHOVÁ, que consta até hoje dos textos em hebraico vocalizados, os massoretas conseguiram ludibriar as pessoas, ocultando o verdadeiro nome, em razão do falso mito de que o nome de YHWH não pode ser falado. Esta é a razão pela qual o nome de “Josué” está grafado erroneamente como YEHOSHUA, já que o YE de YEHOSHUA provém do YE de YEHOVÁ. Em verdade, o nome de Josué é YAHUSHUA.

Sobre as adulterações promovidas pelos massoretas, vale consultar o magistério do rabino James Trimm:

“O Texto Massorético transliterou todos os nomes que começam com o ‘trigrama’ (as três primeiras letras do Sagrado nome) como ‘Yeho’, porém, todos os nomes que terminam com o trigrama [foram transliterados] como ‘yahu’. Isto ocorreu porque  os massoretas transplantaram as vogais do nome hebraico de ELOAH (“Deus”) para dentro do nome YHWH, formando a palavra YeHoWaH” (Hebraic Roots Version Scriptures, 2009, página 37).

 

Existe uma prova adicional de que o trigrama seja YAHU e não YEHO. A Bíblia Peshitta foi escrita em aramaico, língua que, além do hebraico, era de domínio de Yeshua e de seus discípulos. Esta versão das Escrituras foi usada pelos falantes de aramaico, ou seja, assírios, sírios e caldeus. No quarto século D.C, isto é, bem antes dos massoretas, foram criados sinais vocálicos para os textos em aramaico, e os nomes teofóricos não foram escritos como YEHO, o que comprova a incorreta substituição de YAHU por YEHO.

Se não bastasse, descobertas arqueológicas localizaram em Nippur antigos textos de Murashu, escritos em aramaico cuneiforme, datados de 464 a 404 A.C. Em tais manuscritos as palavras estão vocalizadas, e há inúmeros nomes teofóricos redigidos como YAHU, e em nenhum caso se encontra o nome YEHO (Patterns in Jewish Personal Names in the Babylonian Diasporia, M.D. Coogan; Journal for the Study of Judaism, Vol. IV, No. 2, p. 183f ).

Pois bem. Vimos que o bigrama (YH) se pronuncia como Yah (Iá) e o trigrama (YHW) como Yahu (Iáru[15]). Mas e o tetragrama? Qual é o som da letra faltante? Existem provas de que a pronúncia correta seja YAHUEH[16]?

Clemente de Alexandria (150 a 215 D.C) e um antigo papiro grego apontam que a quarta letra do nome sagrado é “E”. Daí, YAHU + E = YAHUE (em português: Iarué ou Iaruê; em inglês: Yahueh).

Ao analisar inúmeros manuscritos contendo o nome de YHWH, concluiu o rabino James Trimm que a pronúncia correta é YAHUEH[17], em concordância com os maiores especialistas sobre o tema:

“Está claro quando se examinam as muitas fontes que a pronúncia de YHWH pode ser recuperada como YAHUEH, por vezes abreviada como o YAHWEH[18], YAHU ou YAH. Isto é atestado pelos nomes Yahwíticos [teofóricos] do texto Massorético, da Peshitta aramaica e dos textos Murashu. A verdadeira pronúncia de YHWH também é preservada em antigas transliterações do nome escrito em hieróglifos egípcios, cuneiforme e grego, os quais foram escritos com vogais.” (Nazarenes and the Name of YHWH).

 

 

VII - CONCLUSÃO

 

À luz das Escrituras, extrai-se que o ETERNO revelou o seu nome a Moshé (Moisés) e ordenou que seu nome próprio fosse lembrado por todas as gerações e para sempre, sendo líquido e certo que os israelitas pronunciavam o nome de YHWH em situações do cotidiano, inexistindo qualquer proibição bíblica de dizer com reverência o nome sagrado.

O receio de se falar o nome de YHWH começou durante o cativeiro babilônico, e se tornou indizível e impronunciável por meio da equivocada decisão do judaísmo farisaico. Com o passar do tempo, o nome de YHWH caiu no esquecimento do povo. Contudo, o nome santo nunca deveria ter sido esquecido, porquanto o Tanach (Primeiras Escrituras) determina que seja lembrado, louvado e invocado o nome de YHWH.

Yeshua e os nazarenos conheciam a correta pronúncia do nome sagrado, e a restauração do verdadeiro nome deve ser buscada pelos nazarenos do século XXI, pois faz parte de previsões proféticas para o povo do ETERNO:

“Portanto, eu os farei conhecer,

de uma vez por todas, eu os farei conhecer minha força e meu poder.

Então eles saberão que meu nome é YHWH [Iarué/Iaruê].” (Yirmeyahu/Jeremias 16:21).

“Pois transformarei os povos, para que eles recebam lábios puros

para invocar o nome de YHWH [Iarué/Iaruê].” (Tz’fanyá/Sofonias 3:9).

“Por isso, meu povo conhecerá meu nome.” (Yeshayahu/Isaías 52:6).

“Pois eu lhes digo que vocês não me verão mais, até que digam: ‘Bendito o que vem em nome de YHWH [Iarué/Iaruê]’.” (Matityahu/Mateus 23:39).

E YHWH [Iarué/Iaruê] reinará sobre toda a terra.

Naquele dia, YHWH [Iarué/Iaruê] será o único,

e seu nome será o único nome.” (Zecharyah/Zacarias 14:9).

 

 

 

 

 


[1] Nas traduções para a Língua Portuguesa, os tradutores substituíram o tetragrama YHWH pelo nome “SENHOR”, em letras maiúsculas.

[2] O Judaísmo chama YHWH de ADONAI, que significa “Meu Senhor”.

[3] HaShem é um eufemismo para o nome sagrado, denotando literalmente “o Nome”.

[4] Exemplo: quando um feiticeiro invoca seu “Deus”, este nome possui significado pagão. Quando um judeu temente ao ETERNO ora a “Deus”, tal prece não denota qualquer tipo de idolatria.

[5] Em hebraico, significa “O Nome”.

[6] Significa, na Língua Hebraica, “Meu Senhor”.

[7] Lembre-se que o “ru” tem o mesmo som da palavra “rua”.

[8] O “ru” tem o mesmo som da palavra “rua”.

[9] Aliás, a letra “j” (jota) também não existe em aramaico, siríaco antigo, grego e em latim. Tal letra foi criada recentemente, nos últimos cinco séculos.

[10] O som de “u” da palavra YAHU advém da letra waw (W), que pode receber tal som em hebraico.

[11] O “r” de “IÁRU” possui um som duro, como em “rua”, “rude”, “ruivo”; e não um som suave como “barato”, “camarada”.

[12] O “ru” tem o mesmo som da palavra “rua”.

[13] Os massoretas foram escribas responsáveis por transcrever e gerar cópias das escrituras sagradas durante os séculos VI a XI d.C. Já que a língua hebraica não possui vogais, apenas consoantes, os massoretas criaram vários sinais vocálicos para tentar preservar a pronúncia correta das palavras.

[14] O “r” de “Ierová” é duro, tal como em “carro”, e não flexível, como em “barato”, “caro”.

[15] O “ru” tem o mesmo som da palavra “rua”.

[16] Como já lecionado, em português as pronúncias possíveis do nome de YHWH, dependendo do sotaque, são: Iarué/Iaruê ou Iaué/Iauê.

[17] Em português: Iarué ou Iaruê.

[18] Aqui, a letra vav (W) tem som de “u”. Logo, YAHWEH produz o som de Iaué/Iauê.

 

Contato

TSADOK BEN DERECH judaismonazareno@gmail.com