O Shabat no Tanach

21/08/2013 10:08

O SHABAT NO TANACH

 

Por Tsadok Ben Derech

 

Atualmente, a maioria dos cristãos possui a equivocada visão de que o shabat (sábado), instituído pelo ETERNO no Tanach (Primeiras Escrituras), deixou de ser o dia de YHWH, sendo substituído pelo domingo. De fato, a grande massa de cristãos cultua o ETERNO no domingo, pois pensam os fiéis que Yeshua ressuscitou neste dia, razão pela qual houve a abolição do shabat (sábado). Conforme será analisado, este ideário cristão é manifestamente contrário às Escrituras, tanto do Tanach quanto da B’rit Chadashá (Aliança Renovada/ “Novo Testamento”).

No Tanach (Primeiras Escrituras), existem 86 versículos sobre o shabat e nenhum sobre o domingo. Na B’rit Chadashá, existem 55 versículos sobre a guarda do shabat (sábado) e nenhum sobre a guarda do domingo. Ou seja, no total da Bíblia, temos 141 versículos acerca do shabat, e nenhum sobre a santificação do domingo.

Objetiva este ensaio analisar o shabat (sábado) à luz do Tanach (Primeiras Escrituras), deixando para outros artigos a investigação acerca do shabat no contexto do “Novo Testamento”.

No primeiro capítulo das Escrituras (Gn 1), há a narrativa da criação do mundo e de tudo que nele há. No sexto dia o ETERNO criou a humanidade à sua imagem e semelhança, criando o macho e a fêmea (Gn 1:26-31).

Afirma o Texto Sagrado:

“Assim, os céus e a terra foram terminados, com tudo o que há neles. No sétimo dia, ELOHIM terminou a obra que ele fez; portanto, ele descansou no sétimo dia de toda a obra que realizou. ELOHIM abençoou o sétimo dia e o separou como santo, porque, nesse dia, ELOHIM descansou de toda a obra que criou, para que ela pudesse produzir por si mesma.” (Bereshit/Gênesis 2:1-3).

 

Vê-se que desde a criação do homem e da mulher o ETERNO santificou o sétimo dia (shabat/sábado) e o considerou como dia sagrado, separado, ou seja, o dia em que o ser humano deveria se abster de toda a atividade secular e consagrá-lo ao CRIADOR, louvando-o, adorando-o e exaltando-o. Se é verdade que o homem deve viver todos os dias na presença de YHWH, mais verdade ainda é que existe um dia sagrado instituído pelo SENHOR DO UNIVERSO. Ensina o rabino Matzliah Melamed:

“Antes de formar, no sexto dia, o homem, o ser mais importante da Criação, Deus preparou-lhe o máximo de conforto e felicidade. O sol, a lua e as estrelas para iluminar o seu caminho; as flores para gozar de seus perfumes; os pássaros para entoar-lhe os seus cânticos harmoniosos, e todos os bens da terra para desfrutar deles segundo o seu desejo.

Faltava dar-lhe o exemplo do Shabat (sábado), o dia em que deveria dedicar-se ao repouso do corpo e da alma, ao regozijo e à elevação do espírito. (...).

A observância do Shabat é o sinal que testemunha que o Eterno é o Criador do Universo e que completou Seu trabalho no sétimo dia. Nós, entretanto, devemos abster-nos de todo trabalho criativo no sábado para demonstrar que não somos donos deste mundo, mas somente servidores de Deus para cumprir Seus mandamentos.” (Torá, a Lei de Moisés, Ed. Sêfer, pgs. 4 e 5).

 

O homem passa a vida sem ter tempo para pensar nas coisas espirituais mais profundas. Pensa ansiosamente no futuro e esquece-se do presente, não vivendo nem o presente e nem o futuro. Vive e esquece o porquê da vida, por que vivemos e para quem vivemos. O shabat é a resposta do ETERNO para este problema: devemos santificar um dia para ELOHIM, abdicando-nos das atividades seculares para desfrutar de um encontro especial com o Pai. O shabat (sábado) é o dia da harmonia completa entre o homem e YHWH. No dizer de Erich Fromm, ao não trabalhar, “o homem está livre das correntes do tempo”.

Com base no citado texto de Bereshit/Gênesis, certifica-se que o shabat (sábado) não é um dia “somente para os judeus”, como pensam os incautos, mas sim um dia que deve ser santificado por todo homem, visto que Adam (Adão) e Havá (Eva) já conheciam a importância do dia santo.

Posteriormente, o ETERNO entregou a Moshé (Moisés) as Asseret HaDibrot (“Dez Palavras” ou “Dez Mandamentos”), incluindo o shabat (sábado) nas tábuas entregues a Moshé, erigindo-se o shabat como o quarto mandamento.

Por incrível que pareça, muitos cristãos não sabem que o shabat é o quarto mandamento, lembrando-se que as duas tábuas dadas a Moshé (Moisés) foram escritas pelo dedo do próprio ETERNO (Shemot/Êxodo 31:18 e 32:16), ou seja, os “Dez Mandamentos” não são preceitos de criação humana, mas sim mandamentos outorgados por ELOHIM.

Eis os textos bíblicos:

Lembra-te do dia do shabat [sábado], para o santificar.

Seis dias trabalharás, e farás toda a tua obra.

Mas o sétimo dia é o shabat [sábado] de YHWH teu Elohim; não farás nenhuma obra, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o teu estrangeiro, que está dentro das tuas portas.

Porque em seis dias fez YHWH os céus e a terra, o mar e tudo que neles há, e ao sétimo dia descansou; portanto abençoou YHWH o dia de shabat [sábado], e o santificou”. (Shemot/Êxodo 20:8-11).

Guarda o dia de shabat [sábado], para o santificar, como te ordenou YHWH teu Elohim.

Seis dias trabalharás, e farás todo o teu trabalho.

Mas o sétimo dia é o shabat [sábado] de YHWH teu Elohim; não farás nenhum trabalho nele, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu boi, nem o teu jumento, nem animal algum teu, nem o estrangeiro que está dentro de tuas portas; para que o teu servo e a tua serva descansem como tu;

Porque te lembrarás que foste servo na terra do Egito, e que  YHWH teu Elohim te tirou dali com mão forte e braço estendido; por isso YHWH teu Elohim te ordenou que guardasses o dia de shabat [sábado].” (Devarim/Deuteronômio 5:12-15).

 

Há de se compreender que o ETERNO abençoou o dia de shabat e determinou que o homem não fizesse nenhum tipo de trabalho secular neste dia, consagrando-o a ELOHIM. Ora, se o shabat (sábado) faz parte dos “Dez Mandamentos”, então, conclui-se que é inconcebível que os cristãos substituam o sábado pelo domingo. Nenhum homem tem o direito de “apagar” um dos mandamentos. Na prática, o Cristianismo vive de uma grande hipocrisia, porque ensina que existem “Dez Mandamentos” quando, em verdade, não cumpre o quarto: o shabat.

Releva registrar que as Asseret HaDibrot (“Dez Palavras” ou “Dez Mandamentos”) representam os princípios ético-morais mais elevados proclamados pelo ETERNO e escritos pelo “dedo de ELOHIM” (Shemot/Êxodo 31:18 e 32:16):

 

1 – Eu sou YHWH, teu ELOHIM, que te tirei do Egito, da casa da servidão. Não terás outros deuses diante de mim;

2 – Não farás para ti imagem de escultura;

3 – Não tomarás o nome de YHWH em vão;

4 – Guarde o dia de shabat [sábado], para torná-lo sagrado, como YHWH, seu ELOHIM, ordenou a você (Devarim/Deuteronômio 5:12);

5- Honra a teu pai e a tua mãe;

6 – Não assassinarás;

7 – Não adulterarás;

8 – Não furtarás;

9 – Não dirás falsidade contra o teu próximo;

10 – Não cobiçarás a mulher de teu próximo... nem coisa alguma do teu próximo.

(Veja na íntegra Shemot/Êxodo 20 e Devarim/Deuteronômio 5)

 

Se, biblicamente, é errado matar, roubar, adulterar e ser idólatra, consequentemente, também será errado “passar a borracha” no shabat e em seu lugar escrever “domingo”. Pense, querido leitor: ou alguém é servo do ETERNO e escolhe obedecer a todos os Dez Mandamentos, ou a pessoa opta por ser ímpio e arbitrariamente escolhe qual mandamento quer obedecer.

Certa feita, um homem mandou um e-mail para uma senhora evangélica contendo a divulgação da imagem de uma “entidade espiritual”. A fervorosa evangélica respondeu ao homem dizendo: “Eu não aceito me curvar para ‘santos de macumba’ porque os Dez Mandamentos proíbem a idolatria”.  Todavia, a filha da evangélica falou para sua própria genitora: “Mãe, você está criticando o homem por ser idólatra, porém, você profana o sábado e o substitui pelo domingo. Na verdade, tanto você quanto o idólatra estão na mesma situação. Ele (o idólatra) descumpre o primeiro dos Dez Mandamentos, você, mãe, descumpre o quarto”.

Esta história bem retrata a situação dos evangélicos hoje: escolhem arbitrariamente o que querem obedecer. Leem a Bíblia, mas “pulam” a leitura de textos que são contrários aos seus próprios interesses.

O preceito de guardar o shabat é tão importante que, além de constar nas tábuas dos “Dez Mandamentos” (Ex 20:8-11 e Dt 5:12-15), o ETERNO o repetiu várias vezes:

“Cada um de vocês reverenciará seu pai e sua mãe; e vocês guardarão meus shabatot [sábados]; eu sou YHWH, o Elohim de vocês.” (Vayikrá/Levítico 19:3).

Guardem meus shabatot [sábados] e reverenciem meu santuário; eu sou YHWH.” (Vayikrá/Levítico 19:30).

Trabalhem durante seis dias; mas o sétimo dia é um shabat (sábado) de descanso absoluto, uma convocação sagrada; não realizem nenhum tipo de trabalho; é um shabat [sábado] para YWHW, mesmo em seus lares.” (Vayikrá/Levítico 23:3).

 

A violação do shabat é considerada um pecado gravíssimo diante dos olhos do ETERNO:

Portanto, guardem meu shabat [sábado], pois ele foi separado para vocês. Quem os tratar como algo comum deve ser executado, pois quem realizar algum tipo de trabalho nele deverá ser eliminado do povo.

Realizem seu trabalho em seis dias, mas o sétimo dia é shabat, para descanso absoluto, separado para YWHW. Quem realizar qualquer trabalho no dia do shabat [sábado] será executado.” (Shemot/Êxodo 31:14-15).

 

Interessante observar no texto acima que a profanação do shabat implica em pena de morte, equiparando-se às penas do homicídio, idolatria e adultério, também puníveis com a morte. Assim, se a pena é proporcional ao ato praticado, fácil concluir que a violação do shabat é reputada como ato abominável para ELOHIM. Muitas pessoas que se dizem cristãs conhecem a verdade e profanam o shabat sem nenhum peso na consciência, o que denota falta de temor ao ETERNO. Quem teme, obedece!

Eis o que aconteceu com alguém que ousou profanar o shabat:

“Estando, pois, os filhos de Israel no deserto, acharam um homem apanhando lenha no dia de shabat [sábado].

E os que o acharam apanhando lenha o trouxeram a Moshé [Moisés] e a Aharon [Arão], e a toda a congregação.

E o puseram em guarda; porquanto ainda não estava declarado o que se lhe devia fazer.

Disse, pois, YHWH a Moisés: Certamente morrerá aquele homem; toda a congregação o apedrejará fora do arraial.

Então toda a congregação o tirou para fora do arraial, e o apedrejaram, e morreu, como YHWH ordenara a Moshé [Moisés]”. (Bemidbar/Números 15:32-36).

 

Muitas pessoas dizem: “eu violo o sábado e não acontece nada comigo, já que não sou executado pelo SENHOR”. Ora, atualmente vivemos em uma sociedade com inúmeros idólatras e estes também não estão sendo executados. Então, será que o ETERNO se agrada da idolatria? É claro que não! Em verdade, todos nós seremos julgados por YHWH em um futuro Tribunal, razão pela qual devemos obedecer às leis celestiais para que não sejamos punidos pela transgressão.

Por oportuno, vale citar alguns preciosos textos escritos por Nechemyah (Neemias):

E o teu santo shabat [sábado] lhes fizeste conhecer; e mandamentos, leis e a Torá lhes mandaste pelo ministério de Moshé (Moisés), teu servo.” (Nechemyah/Neemias 9:14)

“E que, trazendo os povos da terra no dia de shabat [sábado] qualquer mercadoria, e qualquer grão para venderem, nada compraríamos deles no shabat [sábado], nem em outro dia sagrado; e no sétimo ano deixaríamos descansar a terra, e perdoaríamos toda e qualquer cobrança.” (Nechemyah/Neemias 10:31).

 

Vejamos o contexto histórico das passagens citadas. Foi escrito o livro de Nechemyah (Neemias) durante o período em que a Casa de Yehudá (Judá) voltou do cativeiro babilônico, sendo da sabença de todos que o povo foi levado ao cativeiro em razão da desobediência à Torá dada pelo ETERNO. Após voltarem do exílio babilônico, Nechemyah foi um dos grandes responsáveis pela restauração espiritual do povo, levando-o à observância da Torá. Sabendo-se que o shabat é um mandamento importantíssimo, os dois versículos citados demonstram que os homens tementes ao ETERNO iriam guardar o shabat como dia santo e não realizariam nenhum tipo de comércio neste dia. Por outro lado, os ímpios são aqueles que justamente violam o mandamento do shabat, o que causou profunda revolta a Nechemyah (Neemias):

“Naqueles dias vi em Yehudá (Judá) os que pisavam lagares no shabat [sábado] e traziam feixes que carregavam sobre os jumentos; como também vinho, uvas e figos, e toda a espécie de cargas, que traziam a Yerushalayim [Jerusalém] no dia de shabat [sábado]; e protestei contra eles no dia em que vendiam mantimentos.

Também habitavam em Yerushalayim [Jerusalém] pessoas de Tzor que traziam peixe e toda a mercadoria, que vendiam no shabat [sábado] aos filhos de Yehudá [Judá], e em Yerushalayim [Jerusalém].

E contendi com os nobres de Yehudá [Judá], e lhes disse: Que mal é este que fazeis, profanando o dia de shabat? (Nechemyah/Neemias 13:15-17).

 

De acordo com o pensamento de Nechemyah (Neemias), acima exposto, a profanação do shabat é um grande mal, isto é, um pecado terrível.

Doravante, será bosquejada uma visão panorâmica acerca de algumas características do shabat.

O ETERNO determina a abstenção de atividades seculares no shabat:

“Assim diz YHWH: Guardai as vossas almas, e não tragais cargas no dia de shabat [sábado], nem as introduzais pelas portas de Jerusalém” (Yirmeyahu/Jeremias 17:21).

Guarda o dia de shabat [sábado], para o santificar, como te ordenou YHWH teu Elohim.

Seis dias trabalharás, e farás todo o teu trabalho.

Mas o sétimo dia é o shabat [sábado] de YHWH teu Elohim; não farás nenhum trabalho nele, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu boi, nem o teu jumento, nem animal algum teu, nem o estrangeiro que está dentro de tuas portas; para que o teu servo e a tua serva descansem como tu;

Porque te lembrarás que foste servo na terra do Egito, e que  YHWH teu Elohim te tirou dali com mão forte e braço estendido; por isso YHWH teu Elohim te ordenou que guardasses o dia de shabat [sábado]” (Devarim/Deuteronômio 5:12-15).

 

Ordena o ETERNO que o shabat (sábado) é o dia sagrado de especial adoração:

“E o povo da terra adorará à entrada da mesma porta, nos shabatot [sábados] e nas luas novas, diante de YHWH.” (Yechezk’el/Ezequiel 46:3)

 

Promete o ETERNO que será bem-aventurado o homem que não profana o shabat (sábado):

“Bem-aventurado o homem que fizer isto, e o filho do homem que lançar mão disto; que se guarda de profanar o shabat [sábado], e guarda a sua mão de fazer algum mal.” (Yeshayahu/Isaías 56:2).

 

Aquele que se delicia no shabat (sábado) será exaltado e será recompensado pelo ETERNO:

“Se desviares o teu pé do shabat [sábado], de fazeres a tua vontade no meu santo dia, e chamares ao shabat [sábado] deleitoso, e o santo dia de YWHW, digno de honra, e o honrares não seguindo os teus caminhos, nem pretendendo fazer a tua própria vontade, nem falares as tuas próprias palavras,

Então te deleitarás em YWHW, e te farei cavalgar sobre as alturas da terra, e te sustentarei com a herança de teu pai Ya’akov [Jacó]; porque a boca de YHWH o disse.” (Yeshayahu/Isaías 58:13-14)

 

Deve o povo de Israel guardar o shabat como sinal de aliança eterna:

“Seis dias se trabalhará, porém o sétimo dia é o shabat [sábado] do descanso, santo a YHWH; qualquer que no dia do shabat [sábado] fizer algum trabalho, certamente morrerá.

Guardarão, pois, o shabat [sábado] os filhos de Israel, celebrando-o nas suas gerações por aliança eterna.

Entre mim e os filhos de Israel será um sinal eterno; porque em seis dias fez YHWH os céus e a terra, e ao sétimo dia descansou, e restaurou-se.” (Shemot/Êxodo 31:15-17)

 

O shabat deve ser guardado tanto pelo povo de Israel quanto pelos gentios tementes ao ETERNO:

“Lembra-te do dia do shabat [sábado], para o santificar.

Seis dias trabalharás, e farás toda a tua obra.

Mas o sétimo dia é o shabat [sábado] de YHWH teu Elohim; não farás nenhuma obra, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o teu ESTRANGEIRO [GENTIO], que está dentro das tuas portas.

Porque em seis dias fez YHWH os céus e a terra, o mar e tudo que neles há, e ao sétimo dia descansou; portanto abençoou YHWH o dia de shabat [sábado], e o santificou.” (Shemot/Êxodo 20:8-11).

 

Fez questão o ETERNO de repetir que o gentio (estrangeiro) tem o dever de guardar o shabat:

“E aos filhos dos estrangeiros [gentios], que se unirem a YHWH, para o servirem, e para amarem o nome de YHWH, e para serem seus servos, todos os que guardarem o shabat [sábado], não o profanando, e os que abraçarem a minha aliança.” (Yeshayahu/Isaías 56:6).

 

Preste atenção no que foi dito no texto supracitado: o shabat é um sinal da aliança entre o ETERNO e seu povo, razão pela qual tanto os israelitas quanto os gentios que amam o Nome de YHWH deverão guardar o dia sagrado.

Os gentios que guardam o shabat serão muitíssimo abençoados:

“Que nenhum estrangeiro que se disponha a unir-se a YHWH venha a dizer: “É certo que YHWH me excluirá do seu povo”. E que nenhum eunuco se queixe: “Não passo de uma árvore seca”. Pois assim diz YHWH: Aos eunucos[1] que guardarem os MEUS SHABATOT [SÁBADOS], que escolherem o que me agrada e se apegarem à minha aliança, a eles darei, dentro de meu templo e dos seus muros, um memorial e um nome melhor do que filhos e filhas, um nome eterno, que não será eliminado.   

E os estrangeiros [gentios] que se unirem a YHWH para servi-lo, para amarem o nome de YHWH e prestar-lhe culto, TODOS os que guardarem o SHABAT [SÁBADO] deixando de profaná-lo, e que se apegarem à minha aliança, esses eu trarei ao meu santo monte e lhes darei alegria em minha casa de oração.” (Yeshayahu/Isaías 56:3-7).

 

Já que a promessa do shabat (sábado) abençoa o homem, o ETERNO não pode modificá-la:

Não violarei a minha aliança nem modificarei as promessas dos meus lábios.” (Tehilim/Salmo 89:34).

 

O ETERNO não muda a Sua Palavra:

“Porque eu, YHWH, não mudo...” (Mal’achi/Malaquias 3:6)

 

Quem guarda o shabat pratica um ato que serve de sinal da aliança feita com o ETERNO:

“E também lhes dei os meus shabatot [sábados], para que servissem de sinal entre mim e eles; para que soubessem que eu sou YHWH que os santifica.” (Yechezk’el/Ezequiel 20:12).

 

Os ímpios profanam o shabat e atraem para si a fúria do ETERNO:

“As minhas coisas santas desprezaste, e os meus shabatot [sábados] profanaste.” (Yechezk’el/Ezequiel 22:8)

“Mas a casa de Israel se rebelou contra mim no deserto, não andando nos meus estatutos, e rejeitando os meus juízos, os quais, cumprindo-os, o homem viverá por eles; e profanaram grandemente os meus shabatot [sábados]; e eu disse que derramaria sobre eles a minha fúria no deserto, para os consumir.” (Yechezk’el/Ezequiel 20:13).

 

Aquele que viola o shabat está, em verdade, profanando o próprio ETERNO:

“Os seus sacerdotes violentam a minha Torá [instrução/Lei], e profanam as minhas coisas santas; não fazem diferença entre o santo e o profano, nem discernem o impuro do puro; e de meus shabatot [sábados] escondem os seus olhos, e assim eu sou profanado no meio deles.” (Yechezk’el/Ezequiel 22:26).

 

Muitas pessoas conhecem o mandamento do shabat (sábado), mas preferem não ouvir a voz do ETERNO, endurecendo a cerviz:

“Assim diz YHWH: Guardai as vossas almas, e não tragais cargas no dia de shabat [sábado], nem as introduzais pelas portas de Yerushalayim [Jerusalém];

Nem tireis cargas de vossas casas no dia de shabat [sábado], nem façais obra alguma; antes santificai o dia de shabat [sábado], como eu ordenei a vossos pais.

Mas não escutaram, nem inclinaram os seus ouvidos; antes endureceram a sua cerviz, para não ouvirem, e para não receberem correção.” (Yirmeyahu/Jeremias 17:21-23).

 

O shabat é o dia de adoração tão importante que não só nesta terra o justo deve guardá-lo, mas também quando houver a criação dos novos céus e da nova terra. Yeshayahu (Isaías) descreveu em linguagem apocalíptica os novos céus e a nova terra e disse expressamente que “todos os seres vivos” irão adorar o ETERNO no shabat. Obviamente, se a criação dos novos céus e da nova terra se refere ao olam habá (mundo vindouro), então, irão adorar o ETERNO nos shabatot (sábados) apenas os salvos. Infere-se daí que o shabat é um sinal da aliança entre o ETERNO e seus fiéis a ser cumprido tanto nesta vida quanto na vida vindoura. Eis as passagens:

“Por isso, vejam! Crio novos céus e nova terra; as coisas passadas não serão lembradas, elas não mais virão à mente.

Então fiquem felizes e alegrem-se para sempre com o que crio.

(...).

‘Com os novos céus e a nova terra que estou fazendo vocês continuarão na minha presença’, diz YWHW, ‘assim perdurarão seus descendentes e seu nome’.

‘A cada mês, na lua nova, e toda semana, no SHABAT [SÁBADO], todos os seres vivos virão adorar na minha presença’, diz YHWH.” (Yeshayahu 65:17-18 e 66:22-23).

 

Vê-se claramente que o shabat continuará sendo o dia do ETERNO após a criação dos novos céus e da nova terra. O domingo nunca foi, não é e nunca será o dia santificado para adoração. Se alguém acha que o domingo é o dia sagrado, então, deverá pensar que Yeshayahu (Isaías) mentiu ao escrever o texto supracitado, pois está claro como a luz do dia que o shabat permanece como dia separado até mesmo no mundo vindouro.

Que um ponto seja esclarecido: o homem pode adorar e cultuar o ETERNO durante toda a semana, inclusive no domingo, porém, existe um dia especial em que há ordem expressa para a abstenção de toda a atividade secular e consagração absoluta a YHWH: o shabat (sábado).

Importante frisar que, atualmente, as sociedades ocidentais seguem o calendário gregoriano, instituído pelo Papa Gregório XIII, no século XVI. Por este calendário, após a meia-noite de sexta, inicia-se o sábado. Porém, este não é o calendário bíblico instituído pelo ETERNO. À luz das Escrituras, o início de um novo dia se dá ao final da tarde, quando escurece. É o que consta do livro de Bereshit/Gênesis, ao relatar que, durante a obra de fundação do mundo, YHWH criou primeiro a tarde e depois a manhã:  “e foi a tarde e a manhã” (Gn 1:4, 8, 13, 19, 23, 31).

Por conseguinte, o Judaísmo adota o calendário criado pelo ETERNO e, consequentemente, o shabat (sábado) é o período que vai do pôr do sol da sexta-feira até o pôr do sol do sábado.

Guarde o shabat e desfrute da visitação especial do ETERNO!!!

 


[1] Estes “enunucos” provinham de nações estrangeiras, ou seja, eram gentios.

 

Contato

TSADOK BEN DERECH judaismonazareno@gmail.com