A História comprova, os especialistas clamam: Yeshua guardava a Torá

20/08/2013 23:40

 

A HISTÓRIA COMPROVA, OS ESPECIALISTAS CLAMAM:

YESHUA GUARDAVA A TORÁ

Por Tsadok Ben Derech

 

Atestou-se que Yeshua não revogou a Lei, mas cumpriu o típico papel do esperado Messias de Israel: revelar e ensinar a Torá de forma mais profunda aos homens. Consequentemente, os discípulos de Yeshua passaram a difundir a Torá, sendo inadmissível o falso ensino cristão de que “os apóstolos deixaram de cumprir a Lei, que fora anulada”.

De um lado, o autor deste artigo escreve que os netsarim (nazarenos) guardavam a Torá; de outro, o Cristianismo afirma justamente o contrário. Quem está com a razão? Além de toda a argumentação bosquejada à luz das Escrituras Sagradas, demonstrando exaustivamente que a Torá é eterna e dura para sempre, o que fizemos em outros ensaios, apresenta-se agora um argumento adicional e incontestável: os “Pais” da Igreja atestam que é verdade tudo o que temos dito sobre a validade atemporal da Torá.

Com efeito, Epifânio de Salamina (final do século IV D.C), um dos baluartes da Igreja Católica, descreve a crença dos nazarenos:

 “Os nazarenos não diferem essencialmente dos outros [referindo-se aos judeus ortodoxos], pois praticam os mesmos costumes e as mesmas doutrinas prescritas pela Lei judaica [a Torá], com a diferença que eles [os nazarenos] creem no Messias [Yeshua].

Eles [os nazarenos] creem na ressurreição dos mortos e que o universo foi criado por Deus. Eles afirmam que Deus é um, e que Jesus Cristo [Yeshua HaMashiach] é Seu Filho.

Eles [os nazarenos] são bem versados na língua hebraica. Leem a Lei [referindo-se à Lei de Moisés]...

Eles são diferentes dos judeus e diferentes dos cristãos, apenas no seguinte: eles discordam dos judeus porque chegaram à fé no Messias; mas são distintos dos verdadeiros cristãos porque praticam os ritos judaicos da circuncisão, a guarda do sábado, e outros

(En Contra de las Herejías, Panarion 29, 7)

 

Mesmo estando vinculado ao Catolicismo Romano, Jerônimo (347 a 420 D.C), o tradutor da Bíblia para o latim (Vulgata Latina), também certificou que os nazarenos guardavam a Torá:

“Os Nazarenos ... aceitam o Messias de tal maneira que eles não deixam de observar a Lei antiga [Torá]

(Jerônimo, Commentary on Isaiah, Is 8:14)

 

Mediante as provas históricas apresentadas, dúvidas não há de que os originais discípulos de Yeshua criam e cumpriam a Torá de Moisés, que nunca foi revogada pelo Mashiach (Matityahu/Mateus 5:17).

Apesar de o Cristianismo insistir no engodo de que “a Lei foi anulada”, estudiosos sinceros manifestam-se em sentido oposto.

Colacionam-se alguns escólios de especialistas que se debruçaram sobre o tema, despidos dos dogmas impostos pela Igreja Cristã (Católica e Protestante/Evangélica).

David Flusser, judeu ortodoxo e catedrático da Universidade Hebraica de Jerusalém, escreveu:

Jesus aderiu ao judaísmo padrão de seu tempo, e deste ponto de vista, é natural que os seus discípulos, e após eles a comunidade judaica cristã, devam ter vivido de acordo com a Lei [Torá].”

(Jesus in the Context of History, página 8).

 

Somente há uma imprecisão na colocação do eminente historiador: a comunidade judaica dos seguidores de Yeshua não era um grupo cristão, e sim nazareno. Tirante este detalhe, é certo que os netsarim viviam em conformidade com a Torá.

Em outro trabalho, dissertou David Flusser:

“Como judeu, ele [Yeshua] aceitou totalmente a Lei. A comunidade que ele fundou, comparável em alguns aspectos aos essênios, é vista como um movimento de reforma e complementação dentro do judaísmo, e não como uma secessão dele.”

(JESUS, Herder and Herder, York, 1969, p. 216).

 

Giza o rabino Shmuel Saffrai:

“Yeshua cumpriu a Lei e tradições judaicas do Período do Segundo Templo”

(The Torah Observance of Yeshua, Lecture Jerusalem, 1996).

 

O Ph.D. David Friedman, após profunda pesquisa sobre o tema, escreveu um livro afirmando que Yeshua e seus discípulos amavam a Torá. Em certos trechos, registrou:

“Nós temos visto a evidência dos quatro Evangelhos de que Yeshua foi um homem judeu que viveu sua vida terrena em absoluta lealdade às sagradas alianças que Deus fez com seu povo, Israel. Yeshua foi um homem judeu observante da Torá. Ao tomar a Escritura em um sentido literal-histórico, esta é a única conclusão a que podemos chegar.”

(They Loved the Torah: What Yeshua's First Followers Really Thought about the Law, página 43).

 

“Essas duas seções da Escritura (Mateus 5 e 24) nos dão uma imagem consistente do ensino de Yeshua sobre a Torá. Sua mensagem é que a Torá é válida e deve ser respeitada e observada. Na verdade, tal conclusão é alcançada por um número crescente de estudiosos judeus e cristãos.”

(Ob.Cit., página 32).

 

O rabino Stephen Wise, que foi um dos fundadores e líderes do Judaísmo Reformista, escreveu que Yeshua foi “o Judeu dos Judeus”, destacando o seu zelo pela Torá (apud “Jesus through Jewish eyes: A Rabbi examines the Life and Teachings of Jesus”, Rabbi John Fischer, Ph.D., Th.D.).

É um erro achar que Yeshua criou uma nova religião com base em ensinos totalmente divorciados da cultura judaica. Yeshua foi um produto do Judaísmo de seu tempo, e nunca agasalhou os conceitos helenísticos antijudaicos. Mister invocar a lição de Joseph Klausner:

“Jesus de Nazaré foi um produto apenas da Palestina, um produto do judaísmo não afetado por qualquer mistura estrangeira. Havia muitos gentios na Galileia, mas Jesus de nenhuma forma foi influenciado por eles. Nos seus dias, a Galileia era a fortaleza do maior entusiasmo do patriotismo judaico. Sem qualquer exceção, Ele é totalmente explicável pelo judaísmo bíblico e farisaico do seu tempo.

Jesus era um judeu, e como judeu Ele permaneceu até seu último suspiro. Sua ideia era implantar dentro de sua nação a ideia da vinda do Messias, e que pelo arrependimento e boas obras fosse apressado o ‘fim’.

 Em tudo isso, Jesus é o mais judaico dos judeus, mais judaico do que Hilel.

Do ponto de vista da humanidade em geral, ele é, de fato, ‘uma luz para os gentios’. Seus discípulos levantaram a tocha acesa da Lei [Torá] de Israel entre as nações dos quatro cantos do mundo. Nenhum judeu pode, portanto, ignorar o valor de Jesus e de seu ensino a partir do ponto de vista da história universal.

Este foi um fato que nem Maimônides nem Yehuda ha-Levi (estudiosos judeus medievais) ignoraram.”

(The Jewish and the Christian Messiah).

 

Pinchas Lapide foi um renomado judeu ortodoxo (1922 a 1997), que não cria que Yeshua fosse o Messias. Não obstante, escreveu um livro afirmando que Yeshua realmente ressuscitou dos mortos, pois a ressurreição é um conceito que faz parte da tradição judaica. Lapide concluiu que, historicamente, Yeshua ressuscitou, e o ETERNO assim o fez para que a fé monoteísta fosse levada às nações. Vale transcrever suas palavras acerca do relacionamento de Yeshua com a Torá:

Jesus foi totalmente verdadeiro para com a Torá, como eu mesmo espero ser. Eu até desconfio que Jesus fosse mais verdadeiro para com a Torá do que eu, um judeu ortodoxo”.

“Eu aceito a ressurreição... não como uma invenção da comunidade de discípulos, mas como um evento histórico .... Eu acredito que o evento de Cristo leva a um caminho de salvação que Deus tem aberto, a fim de trazer o mundo gentio para a comunidade do Israel de Deus.”

(The Resurrection of Jesus: A Jewish Perspective).

 

De acordo com as Escrituras, pecado significa violação à Torá (I Jo 3:4, em aramaico). Assim sendo, se Yeshua nunca pecou, significa que nunca transgrediu um mandamento da Torá. Este é o motivo pelo qual alguns estudiosos consideram Yeshua como um “judeu ortodoxo”, como subscreve George Foot Moore:

“Talvez, o mais importante era o seu relacionamento com a Lei e as tradições, o que alguns têm descrito [Yeshua] como ‘totalmente ortodoxo’.”

(Judaism in the first centuries of the Christian Era, vol. II, página 9).

 

O rabino ultra-ortodoxo Simcha Pearlmutter reconheceu que Yeshua é o Mashiach. Em um discurso sobre o tema, criticou o pensamento cristão de aceitar Jesus e rejeitar a Lei (Torá). Segundo o preclaro rabino, quando Yeshua veio ao mundo não existia Cristianismo, razão pela qual os gentios que criam em Yeshua ingressavam na família do judaísmo. Por sua vez, o conceito de Mashiach vem da Torá e Yeshua ensinou a Torá, logo, é totalmente contraditório aceitar Yeshua e rejeitar seu ensino, a Torá:

Não se pode pensar em Mashiach sem se pensar na observância da Torá. Não no judaísmo. Não se pode pensar em Mashiach sem reconhecer que temos uma ligação forjada entre a nação de Israel e Hashem [YHWH], que é tão inquebrável que cada palavra que Hashem [YHWH] falou e ordenou somos obrigados a fazer”

(transcrição de vídeo contendo pregação do rabino Simcha Pearlmutter).

 

Ora, se a Torá é o que YHWH ordenou, então, obviamente tem de ser cumprida, não fazendo nenhum sentido que Yeshua tenha vindo para anular a Palavra de YHWH.

Por fim, sublinha-se a citação do ínclito historiador Geza Vermes, Professor da Universidade de Oxford:

Alguma vez Jesus se opôs à Lei?

Uma resposta direta a esta pergunta deve ser firmemente negativa... Em nenhum trecho do Evangelho Jesus é visto tomando deliberadamente a iniciativa de negar ou de alterar substancialmente qualquer mandamento da Torá em si.”

(A religião de Jesus, o Judeu, Imago, 1995, página 28).

 

Destarte, tanto dados históricos quanto modernos pesquisadores ratificam que a Torá foi a base da fé de Yeshua e de seus talmidim (discípulos).

 

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